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terça-feira, 18 de novembro de 2014

O destino é soberano


Estava há pouco fazendo a minha barba. Amanhã embarco logo cedo para Belo Horizonte (ou será hoje?) Enfim, voltarei à noite. Enquanto eu deslizava em meu rosto a máquina de aparar pelos, ao som da JB FM (claro!!), imediatamente comecei a lembrar d’outros tempos. De fatos e situações pelas quais já passei ao longo desses 32 anos vividos. Lembrei de tanta coisa: de sonhos, de pesadelos, de anseios, de pessoas que chegaram, de pessoas que se foram... A minha conclusão foi de que nem sempre o momento atual é aquele que esperávamos viver. Parece meio óbvio, né? E é!

A graça da vida consiste justamente em atirarmo-nos de cabeça no oceano misterioso do porvir. Encontrei muitas alegrias no meu momento atual. Ri sozinho de um cotidiano que, de tão simples, outrora me parecia impossível.

Mas nem tudo “são flores”. Encarei dificuldades e percebi que cresci mais do que imaginava. Embora eu conserve ainda aquele lado menino, que corre para os braços da mãe vez ou outra, sempre passo por um instante de decisão, de Daniel na cova dos leões. Ou uma espécie de arena, onde sou gladiador de mim mesmo.

Tomo banho, visto meu pijama de cetim ao tempo em que Lulu Santos canta na rádio “Como Uma Onda no Mar”. E não é que a música parece  trilha sonora dos meus pensamentos? É exatamente assim que funciona a vida: como onda no mar. 

Deixar-se levar é uma virtude. Mas por que diabos a gente tenta de qualquer maneira alterar ou controlar o curso do destino? Que raio de medo é esse que temos incutido dentro de nós, que de certa forma nos deixa em alerta constante? Mas alerta em função de quê, meu Deus? Qual o motivo de tanto medo em deixarmos a ordem natural das coisas seguirem o seu rumo? Será medo de sofrer? De nos decepcionarmos? Ou simplesmente medo de sermos contrariados em nossa vontade tão qual o medo de uma criança pirracenta?

Olho para o meu polegar e vejo que sangra a minha cutícula. Maldito vício de roer as unhas, e essa é uma forma inconsciente de dizer que se tem medo, ou no mínimo um receio bobo. É sinal de que algo não está bem ou que está ligeiramente nos perturbando. O pior é que por mais que o ferimento cause dor, uma hora eu o esqueço e lá estarei roendo as unhas novamente. Ressurge também o outro vício: o de tentar controlar os acontecimentos conforme a nossa vontade? Percebemos o quão isso é impossível e quebramos a cara muitas vezes, porém não demora para que voltemos a fazer tudo de novo. É a unha e a cutícula que crescem. É o destino comandando. É a unha na boca, sendo cortada, dilacerada. É a nossa infinita e libidinosa mania de tentar moldar as circunstâncias de acordo com a nossa vontade.

Notei que hoje estou menos didático nas minhas divagações tolas. Será que mudei muito desde o meu último texto?

Talvez seja o próprio destino me acenando gentilmente que ele continua por aqui. Ele quer me provar que algo soberano paira sobre nós. Uma vontade maior. Vai ver que é desse modo que dizem que “o universo conspira a nosso favor.”

Considerando que o fim da vida é a morte, logo não é difícil entender que coisas se modificam durante o tempo todo da nossa vil existência. E isso não depende de aceitação. Simplesmente modificam e ponto.

Bem, já passa da meia noite. Tenho que dormir e não posso me dar ao luxo de ficar aqui escrevendo minhas bobagens. Às quatro preciso já estar de pé. Daqui para o Santos Dumont é uma longa caminhada.

Neste exato minuto está tocando na rádio “Chão de Giz.” Amo essa música. Principalmente a versão original com o inoxidável Zé Ramalho. Sou fã!

Antes de eu tomar o meu remedinho da noite e desmaiar de vez na cama, registro aqui uma espécie de oração que deveríamos fazer todos os dias: “Que amanhã, Senhor, seja melhor do que hoje. Que o meu destino traga o melhor para mim e para todos os que amo. Aos que me odeiam, flores e perdão. Aos que me amam, flores e lugar cativo no meu lado esquerdo do peito. Que o medo se torne um hábito do passado e que a renovação me venha leve e agradável como um sopro de brisa. Amém.”
 
E até breve.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O poder da felicidade

Será que alguém já parou para refletir sobre o poder da tão desejada felicidade? Às vezes passamos tanto tempo a buscá-la, que sequer pensamos a respeito de como na prática esse sentimento poderia influenciar a nossa vida e, por consequência, as nossas atitudes.

É óbvio que essa busca incansável reflete na verdade um estado de espírito. Há quem diga que não existe ser feliz, mas sim estar feliz. Outros afirmam que a felicidade é o caminho, e não o destino da caminhada. Alguns argumentam ainda que a felicidade consiste em fragmentos de situações vividas; sendo assim, não é um estado permanente, alterna-se com momentos de tristeza e frustrações.

Uma opinião que sempre trago comigo é que o feliz, de momento ou não, jamais especula maliciosamente sobre a vida do outro. Não maldiz o seu próximo e nem pragueja ou investe contra ele movido por inveja ou qualquer outro sentimento negativo. Porque a felicidade tem vários poderes, entre os quais o de preencher o interior de uma pessoa; de provocar um bem-estar tão grande que não resta espaço para sentimentos negativos. Ao contrário, quanto mais se é feliz, mais se quer que o outro também seja feliz e experimente aquela sensação boa e plena.

Segundo um estudo realizado pelo cineasta europeu Collin Camino, em 2009, cujo título é Reverse Diabetes, ou em uma tradução livre para o português  “Diabetes Reverso”, aponta a felicidade como principal elemento de cura para a doença. Inclusive o estudo levou Camino a criar o instituto “Espírito Feliz” na internet, e seus escritos são seguidos fielmente em 9 países, estando na Inglaterra e nos Estados Unidos o seu maior número de seguidores. Camino é escritor e cineasta por formação, mas dedica boa parte do seu tempo a pesquisar de forma independente os efeitos da felicidade na saúde das pessoas.

De início, o site procurava mostrar a cura para a depressão. Passado algum tempo, depois de muitas pesquisas realizadas pelo cineasta, chegou-se à conclusão de que um estado de espírito feliz tinha o poder de reverter o diabetes também, sem que os pacientes precisassem necessariamente seguir uma dieta rigorosa, abstendo-se de todo tipo de açúcares.

Ora, levando em conta o estudo de Camino e mais o comportamento de algumas pessoas que se dizem felizes, não seria leviano afirmar que só nesse viés temos dois benefícios incríveis que só a felicidade é capaz de proporcionar: o desapego de uma forma maldosa de enxergar a vida alheia e também a cura de doenças.

O problema é quando condicionamos a nossa felicidade à conquista de determinados bens materiais e assim julgamos que não poderemos ser felizes sem eles. Ou ainda, quando depositados em alguém a razão da nossa felicidade — e este talvez deva ser o maior erro de todos, visto que se o outro nos decepciona, nós nos tornamos fonte de amarguras, frustrações e tristezas que nos arrastam para o fundo do poço. Ficamos dependentes do outro para que sejamos felizes.

O que é indispensável que tenhamos em mente é que somos os únicos responsáveis pela nossa própria felicidade, o outro apenas soma, contribui, mas não é capaz de trazer aquilo que não existe em nós originalmente. Como dizia o Marquês de Maricá: Os homens nos parecerão sempre injustos enquanto o forem as pretensões do nosso amor-próprio.”

Depositar no outro todas as nossas expectativas de amor e felicidade quase sempre nos traz graves decepções. A escritora gaúcha Clarisse Corrêa alerta: “Mais amor próprio. Porque antes de amar qualquer coisa ou pessoa você tem que amar você mesmo primeiro.”

Felicidade boa é aquela que nos tira do prumo, da zona de conforto. É aquele tipo que temos até medo de perder, seja até por um vento que soprar na hora errada. É aquela que provoca frio na barriga. Sentimento de eternidade. De gratidão a Deus, à vida e às pessoas queridas que estão ao nosso redor, zelando por nós.

A proposta é: ser feliz e deixar que os outros também o sejam, cada um à sua maneira. Porque cada ser humano é único em sua essência, e somente o próprio indivíduo sabe o que é melhor para si. Não aceitar ou combater a felicidade do outro é negar a si mesmo o direito de cuidar da própria vida e de também tentar ser feliz.

Como diz a canção do Marcelo Jeneci: “Felicidade é só questão de ser.”

Ponto.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O direito do outro

Será que é tão difícil para nós — enquanto seres  viventes  e  habitantes  de  um  mesmo planeta —  aceitarmos a existência de nossos irmãos? Irmãos porque somos colaterais uns dos outros da mesma espécie. Fisicamente as diferenças entre nós são mínimas diante das semelhanças. Mas se todos são realmente parecidos entre si, por que tanta discordância e desarmonia em um mesmo habitat? Se nos aprofundarmos nessa reflexão, vamos descobrir que essas discordâncias aparecem quando entramos na área em que justamente as diferenças são mais latentes do que as semelhanças: a área do gosto pessoal de cada indivíduo. É aí que a coisa complica!

Uma das definições da palavra “gosto”, segundo o dicionário Aurélio é: “faculdade de julgar os valores estéticos segundo critérios subjetivos, sem levar em conta normas preestabelecidas.”

Se não há norma preestabelecida, isto quer dizer que é livre a formação dessa preferência. E esta não sofre qualquer influência direta de fatores externos quanto à sua formação original. O que vai determinar se um gosto é bom ou ruim, é a experimentação posterior. Quando ele nasce, porém, o que temos é uma inclinação, uma tendência a perceber aquilo que nos agrada. Daí não existe interferência nem mesmo de nós e tampouco dos outros. Tentar mudar o gosto de alguém é tentar mudar a natureza, a concepção mais genuína de uma pessoa. 

Há quem diga que é possível mudar sim uma preferência individual, no entanto o que você pode é contê-la, represá-la, aprisioná-la ou simplesmente não dar vazão a ela. Mudar, nunca. O que nasce de você e sequer está no seu DNA (porque DNA é ciência, tem como ser ‘lido’) não tem como sofrer nenhum tipo de manipulação ou doutrina externa. Como, por exemplo, pegar algo com as mãos se este algo é invisível? Não tem como. O único controle que pode existir é o da “não vazão”. É ignorar as próprias inclinações ou brigar o tempo todo com ela, tentando dominá-la a qualquer custo. Isto, sem dúvida, é fonte de grande sofrimento por parte daqueles que tomam esta decisão. É uma guerra constante com o próprio eu, e esse eu, por ser invisível e imutável, certamente será mais forte. Não tem como amputá-lo, tal qual se faria com um membro físico que perdeu a sua função vital.

O problema é que ainda que tenhamos essa consciência, sempre vai existir um outro, ou seja, um irmão de espécie que vai discordar da sua natureza. E vai combatê-la. Esse é o motivo de tantos confrontos, de tanta intolerância e até de guerras mundiais. A não aceitação do outro faz com que o mundo em que vivemos fique em total desequilíbrio, porque damos continuidade a uma batalha irracional e inútil de dominação.

Imaginar que um planeta habitado por bilhões de mentes e gostos díspares uns dos outros e que, em algum momento, essas mentes partirão para o conflito a fim de cada um tentar estabelecer o seu gosto pessoal, é assustador.

Não é apenas teoria que o mundo seria mais pacífico se todos aceitassem as preferências alheias. É uma questão de lógica. Mas por que não há essa aceitação? Simples. Porque colocamos interesses particulares — e muitas vezes não ligados ao bem estar geral — acima do respeito que deveríamos ter com o nosso irmão. Entender que o nosso direito termina quando começa o do outro deveria ser natural. Mas infelizmente não é.

Fala-se muito em modernidade, em avanço da ciência, da tecnologia, das comunicações, da medicina, entretanto pouco se fala em avanço da moral, da ética e do respeito. Quando alguém cria uma lei para que determinados direitos básicos sejam respeitados, não há qualquer razão para se comemorar. Ao contrário, vejo com tristeza isso. Triste do povo que precisa de leis que o obrigue a respeitar o direito do outro.

Teremos de fato um avanço útil e notável quando não precisarmos de leis que assegurem os nossos direitos individuais e coletivos mais básicos. Não adianta a sociedade avançar em outros aspectos se não avança no primordial: a boa convivência entre os seus colaterais.

Chego a acreditar que tanto progresso em outros seguimentos satisfaz uma condição imediatista do ser humano, capaz de jogá-lo num conformismo arraigado.

Do que me adianta uma telefonia de longo alcance se eu não tiver com quem falar? Ou do que me adianta uma rede social se for para apregoar o ódio e por isso todos se voltarem contra mim? Do que me adianta prolongar a vida de um paciente, se este não tiver vontade de voltar para a sua parentela?

O desrespeito está na religião, na etnia, na sexualidade, na cultura, na educação [ou na falta dela], na raça e na cor.

E o respeito: onde está?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Viva Machado!

Há bem pouco tempo, reli um trecho do livro Dom Casmurro, do grande Imortal Machado de Assis. Algumas coisas releio com a finalidade própria de meditação. Nada pretensioso. Nada filosófico. Mas ainda assim: meditação. Pensar me desafia, me aguça perguntas e me força a tentar respondê-las pelo menos com uma tímida explicação que satisfaça a minha mente inquieta.

Na releitura do trecho do clássico de Machado, me veio ao juízo a ideia de que os escritores dos tempos atuais pertencem a outro nicho, trazido pela modernidade e pela incansável busca pela fama, pelo reconhecimento do “eu escrevi isso, e isso foi legal, todos gostaram, sou então um escritor respeitado”, etc. 

Machado de Assis e tantos outros de sua época cultivavam a discrição. Viviam reclusos em suas ideias, não por que eram obrigados a viver assim, mas porque eles encaravam o tal ofício da escrita como um comentário ora pudico, ora indecoroso. Não buscavam nenhum tipo de mérito. Eles queriam comentar, queriam dizer, e isso lhes bastava. Dizer. Dizer que viam, que eram testemunhas de fragmentos desapercebidos que compunham um todo. Era como uma “sociedade secreta” sem segredo algum. Tinham os seus valores. Seus modos muito particulares de ver o mundo. O mundo que os cercavam [e que ansiava aprisioná-los] fora aquele em que já viviam, é claro.

Os escritores de hoje, digo os famosos, os que conseguiram notoriedade, moram em verdadeiros palácios ou quase isso. Frequentam lugares da moda, dividem opiniões, se expõem sem medo da crítica. O insuportável para eles é não serem notados. Não serem comentados.

Já imaginou? Machado de Assis hoje moraria na zona sul? Andaria de carro importado e daria inúmeras entrevistas com seu rosto em uma linda estampa gráfica “photoshopada?”

Não sei. Naquela época [repito o termo, lembrando os antigos] a simplicidade e a discrição eram a “onda do momento”. Se faziam grandes escritores tão-somente pelo que eles realmente pensavam. Pensavam – que fique claro. Não existia toda essa modernidade de hoje; e caso os escritores de fato não pensassem, jamais sairiam do anonimato e tampouco virariam os Imortais que aprendemos a admirar e respeitar.

Engraçado. O apelido “Dom Casmurro” originou-se justamente por uma introspecção talvez exagerada. Se fosse hoje, quem sabe, o sujeito tomaria o trem [ou melhor, trem não; avião] sorrindo para todos, apresentando-se como escritor e permitiria que os demais passageiros tirassem fotos com os seus celulares de última geração.

Machado de Assis descrevia como ninguém o interior de uma alcova, os quartos e cortinas, janelas, acontecimentos que se sucediam entre quatro paredes. Depois registrava tudo com maestria. A pena na mão. Escrevia-se ali a sentença de um juiz sobre a sociedade. Mas ele era também o defensor e o acusador na figura de uma única pessoa. Era o Mestre. Era o dono da História.

Não estou aqui fazendo um falso proselitismo  a favor de uma vida provinciana. Ou numa linguagem mais clara: uma vida de bicho-do-mato. Acho que a modernidade nos ajuda e muito! Contribui e muito! Ficar parado no tempo engessa o progresso [como disse certa vez Ferreira Gullar], no entanto confesso que vejo certo charme nos escritores que alcançam fama e respeito pelo que pensam. Pensam e não aparecem em badalações e eventos sociais. Porque as suas ideias chegam antes [muito antes!] aos seus leitores do que a necessidade de sua presença física em qualquer lugar. E isso, em tempos atuais, é praticamente um milagre!

Lima Barreto conta, em Memórias do Escrivão Isaías Caminha, que sempre se fechou para o que estava à sua volta e que, certo dia, quando resolveu brincar com os colegas na escola, houve uma comemoração irônica por partes deles. O menino que nunca se juntava ao grupo social de repente se juntou. Antes, porém, de acontecer aquela brincadeira farrista com os colegas de classe, Lima Barreto passou dias e mais dias atento ao pai, que era um homem muito culto, que sabia como nenhum outro explicar o universo e as estrelas do céu.

Onde será que estão os "Casmurros" de hoje? Na melhor acepção do termo.

Será que ainda existem? Será que se um dia a humanidade se cansar de tanto se enfeitar diante de uma parafernália tecnológica, vai conseguir sobreviver ou cairá na desgraça cruel do anonimato e da escuridão dos holofotes apagados?

Quem viver, verá.

terça-feira, 26 de março de 2013

O Contador de histórias

Eu sou um deles. Sou um pequeno em meio a outros tantos pequenos. Alguns não pequenos, gigantes, frondosos, tais quais árvores centenárias que firmam presença sob a luz do sol através dos tempos. Sou grão em uma colagem mosaico que forma paisagem.

Sou um contador de histórias, na mais perfeita acepção do termo: vivo de contar e de inventá-las também, na maior parte das vezes. Um obcecado pelas relações humanas, pelos fatos que elas provocam. Pelas transformações que elas são capazes de induzir no próprio meio em que acontecem.

Mas como explicar o contraditório de dizer que as relações humanas são tão interessantes ao passo em que o mundo real, o mundo em que elas vivem, é tão apático e pouco atraente? Talvez por que a fantasia seja a encarregada de pincelar as cores que darão charme a um mundo desbotado, monocromático. Eu sempre preferi a fantasia. A realidade é mãe severa, dura de coração, enquanto a fantasia é mãe que cuida, que zela, que ri das travessuras do filho. Acho que por isso dou o braço a uma, mas é no colo da outra que eu pulo.

Contar histórias é um dom. É dádiva. É o único momento em que se sente ungido. Deixa-se de viver a própria vida para viver a vida de outros, de muitos... São personagens que nos arrebatam com uma paixão incrível e visceral. Noites inteiras são perdidas em uma incansável luta de somar pedaços que formarão uma estrada vez linha reta, vez sinuosa. Não se consegue pensar em mais nada que não o futuro daqueles seres que parecem sair do seu imaginário para te derrubarem da cama e eles sim adormecerem por ali, plenos de toda existência.

Penso que o contador de histórias é alguém que se propõe a passar o resto de sua vida a juntar letras que serão lidas, ouvidas, assistidas ou quem sabe até sonhadas por um outro alguém. É um sacerdócio prazeroso, sem crime, sem castigo, sem absolvição, sem desculpas ou justificativas por que habitamos o limbo das ideias. É um lugar mágico e praticamente espiritual de onde jamais pode brotar qualquer impureza.

Lembro de cada um que me apresentou as ferramentas que hoje uso para o meu ofício. Sim, eles são chamados de professores. Eles me apresentaram as letras, as frases, as palavras cheias de significados. Mas na minha visão, eles me apresentaram bem mais do que isso. Apresentaram-me um navio prestes a deslizar para um oceano imenso. De onde não se volta, mas se manda notícias a todo momento.

É gostoso estar aqui, escrevendo, dizendo, transmitindo clarões de pensamentos. Jogando com as palavras da mesma forma que elas jogam com as minhas emoções. E que emoções!

Nesse mundo de faz-de-conta tudo é permitido. As rédeas que a realidade me impõe são facilmente dribladas pela sedutora astúcia do imaginário. Ele é encantador. Envolvente. Um lord que se apresenta com capa e cartola, feito um ilusionista, e que me mostra possibilidades fantásticas. Ele me rouba o juízo e coloca sei lá o quê (mas que é muito bom) dentro da minha mente.

E se me perguntassem o porquê de existirmos, tenho certeza de que me fugiria uma resposta que convencesse a mim e ao outro. Acho que eu diria que existimos para tirar algo que sobra em um lugar para pôr em outro onde falta. Não dá para entender direito, eu sei, porém é mais ou menos isso. Talvez um Robin Hood da criação: tiramos do rico imaginário para dar onde falta à pobre realidade.

Fico tão emocionado em falar disso. É sério. É algo tão maravilhoso aos meus olhos, tão sublime, que chego a pensar que nenhum ser humano seria digno de receber essa incumbência. Não vou negar que surge um sofrimento, um percalço no caminho ora ou outra, mas não é de se admirar que nenhum de nós queira desistir, porque o caminhar compensa toda dor que possa surgir. É gostoso demais trilhar por um mundo que não me obriga à mediocridade simples do dia-a-dia.

Eu sou contador de histórias. Já falei, né? Pois é. Sou, mas não por que escolhi ser. Fui escolhido e isso sempre vai me bastar. Amém.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O mundo espiritual e suas codificações

Há muitas controvérsias acerca da existência de um mundo paralelo, digamos assim, que comanda todos os desígnios desse mundo humano em que vivemos. Estou falando do mundo espiritual. Seja você religioso, ateu, agnóstico, crédulo ou incrédulo, ou que simplesmente nunca tenha pensado a respeito, a verdade é que nosso mundo terreno está cheio dessas codificações que sustentam a visão do algo “além de nós”.

Uma forma prática de perceber esses códigos é quando vamos a uma cerimônia fúnebre. Tudo que ali está guarda um significado que se refere à “passagem” que o indivíduo faz de um mundo para o outro. E curioso é que mesmo os que não crêem nessa comunicação entre dois planos existenciais diferentes, reconhecem e compreendem o sentido daqueles rituais. Nota-se que a existência dos códigos independe da comprovação do fato a que eles se destinam. É como se os hábitos fossem a própria representação materializada do outro mundo. Fica a pergunta se isso já não é o suficiente para afirmar a realidade do plano superior em nossas vidas tão terrenas e passageiras.

Outros códigos também estão presentes em nosso cotidiano ainda que não sejam tão perceptíveis. Quando passamos por alguma situação difícil em que nos vemos quase em um “beco sem saída”, é comum apelarmos para uma salvação que transcende a racionalidade. Esse apelo varia de pessoa para  pessoa, porque há quem conte as  suas  aflições  para  o  acaso,  ou  até  mesmo para o nada, e há quem se dirija especificamente para um Ser Supremo de sua devoção e fé.

As opiniões diversas a respeito desse assunto, queira ou não, acabam por manter vivas no consciente coletivo as indagações sobre os mistérios que envolvem a nossa existência. Por vezes parece irracional pensar que somos tão auto-suficientes sem uma interferência superior. Como explicar então tantas coisas incríveis que acontecem? Como explicar verdadeiros milagres no campo da medicina, por exemplo? Será que a sorte pode  justificar  tantos  fatos  ainda  inexplicáveis que hora ou outra nos surpreendem sem o menor nexo de razão? E se a sorte fosse uma das vertentes da fé? Ou até mesmo uma forma de fé porém com outro nome, que é provocada justamente pela força do nosso querer interior quando este entra em contato com um plano extraterreno?

Talvez nunca cheguemos a uma resposta exata. Aliás, exatidão não cabe em um assunto que pressupõe forças ocultas além do nosso entendimento.

E as religiões estão aí para fortalecer a nossa crença nessas forças. Cada uma vai atribuir a um Deus, ou a vários deuses, ou a entidades, o domínio sobre tudo que nos acontece, sejam coisas boas ou más. É como se o Ser Superior fosse o escritor, e nós os seus personagens; no entanto, sem que essa escrita necessite de uma lógica.

Acho que tudo é possível para quem crê. A fé nasce dentro de cada um, e ela não reconhece religião, mas sim o desejo da nossa alma. Acredito que qualquer ser humano é capaz de transpor obstáculos por pior que sejam, e aí sim acontece a conexão com algo muito maior.

Quando escrevi o texto da peça “Amor, Promessa e Castigo”, mergulhei na história bíblica de Ana, esposa de Elcana, e que não podia dele engravidar. Elcana era também casado com Penina, que gerava filhos e filhas. Penina humilhava Ana e a fazia chorar dias e noites. Porém Ana manteve a sua fé inabalável e assim, segundo a história cristã, o Senhor concedeu um milagre a ela, que acabou por engravidar e deu à luz Samuel. Foi impossível para mim não meditar sobre a fé. Terminei o texto da peça, que não conteve nenhum caráter religioso, mas fiquei pensando na história bíblica, que final teria se Ana não guardasse uma grande fé dentro de si. E me questionei se não era possível que houvesse outras Anas vivendo aquela situação.

Que códigos aquela mulher reconhecera como sendo indicador de um milagre? Faz pensar que em dados momentos cabe a nós decifrar a codificação do mundo espiritual, se acharmos conveniente acreditarmos nele.

Num raro momento de descontração, enquanto escrevo essas linhas, lembrei daquela famosa frase em espanhol: y no creo em brujas, pero que las hay, las hay.”

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O amor, o amar e as suas formas

De todos os sentimentos capazes de serem experimentados pelo ser humano, o amor certamente é aquele que mais influencia no nosso modo de pensar e agir ao longo da existência. É ele quem dita a maior parte de nossas atitudes e estabelece uma incrível comunicação com o outro.

Existem vários tipos de amor: o de mãe por um filho, o de avô por um neto, o de um homem por um animal. Os relacionamentos amorosos entre duas pessoas que se apaixonam é o que se destaca na sociedade por ser uma experiência de total confiança e apego ao “objeto” da paixão. É como se o apaixonado fosse um pássaro ganhando vôo livre, embora não saiba o que há de encontrar em sua jornada pelo céu.

Vejo diferença entre amor e amar. O primeiro é fato concluído em si mesmo, enquanto o segundo é doação sem que necessariamente haja uma entrega total a uma única pessoa. Amar é ato gratuito, difuso e parte de dentro para fora; ao contrário do primeiro, que é quase empírico, parte de um princípio, de uma experiência, por vezes de um primeiro contato, para que assim se estabeleça no campo afetivo.

Alguns exemplos do amar são vistos com freqüência em religiosos que dedicam suas vidas a ajudar o próximo. São capazes de enxergar em seu semelhante a própria face. Essas pessoas têm uma visão horizontal. Ao passo que o amor, a depender do ponto de vista, é perpendicular. Segue uma ordem de baixo para cima.

Ainda no caso do relacionamento amoroso entre casais, muito nota-se um “abaixo” do outro, sempre esperando que aquele lhe traga e lhe dedique uma atenção e um carinho que ele não consegue dar a si mesmo.

Diz a bíblia que Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito como sacrifício pelo bem da humanidade. Independente da crença religiosa, este seria um bom exemplo de amar. Deus amou o mundo. Por sua vez, um exemplo de amor seria o caso da mãe que deixa de comer para ceder o alimento ao filho.

Nada se justifica sem amor. É um sentimento cego. É aquele que possui um arbítrio irrestrito sobre nós. Não se tem capacidade maior para determinar pensamentos, atitudes e modo de ser.

Já disseram que a medida da dor é a mesma medida do amor. O tanto que se ama, é o tanto que se sofre por esse amor.

A manifestação suprema do amar e do amor tem variadas formas, pode se apresentar de diversas maneiras, por vezes de modo subjetivo, implícito. Pode ser um gesto, uma palavra, um sussurro ou até mesmo um prolongado silêncio. É como se o que sentimos transbordasse e fosse desaguar no outro sem a necessidade de consentimento.

Nos primórdios da humanidade, o sexo se sobrepunha ao amor por uma lógica que visava perpetuar a espécie. O amor [se viesse] viria mais tarde. Hoje pensamos no amor antes do sexo. O mais curioso é saber que a valorização do sentimento trouxe não só a felicidade, mas o sofrimento também. Os conflitos amorosos tomaram conta da sociedade tanto quanto a possibilidade que ganhamos de amar.

Há quem diga que prefere evitar o amor como forma de se proteger das desilusões futuras. Outros apregoam que o amor e a liberdade são opostos e que nunca chegam à pacificação.

No século XIX era romântico sofrer por amor. Em tempos atuais é comum percebermos que o sofrimento tornou-se algo quase patológico, freando e reprimindo cada vez mais os sentimentos, e em alguns casos provocando lesões irreparáveis à autoestima.

Muito se fala na “revolução sexual” da década de 60, e alguns estudiosos afirmam que esse momento histórico fortaleceu a liberdade nos relacionamentos interpessoais. Por outro lado, houve um decréscimo do romantismo d’outros tempos. Passou a existir um maior “poder de escolha” no campo afetivo e sexual. O problema é que o amor não acompanha as mudanças do tempo, é inadaptável à razão, aos conceitos, daí o motivo de tanta controvérsia e amargura.

Amar é mais abrangente e por isso sempre faz bem para o corpo e alma. O amor é singular, enquanto amar é plural. Doar um pouco de nós para os outros, desfazendo-se de qualquer traço de individualismo, é divino. É exercício pleno da nossa condição humana.

E como diz a música: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

quinta-feira, 1 de março de 2012

A piada que só é engraçada para quem faz


Perdi a conta de quantas piadas já ouvi na vida. São tantas que algumas se repetem de boca em boca. Muitas cheias da criatividade, outras com tintas fortes de malícia. Os temas são variados: tem a do gay, do aleijado, do papagaio, do anão, do leão, etc.

Quando criança eu adorava ouvir piadas, mas não sabia contar. O que mais me instigava era tentar adivinhar qual seria o desfecho da história, qual a moral; ficava preocupado em entender, por medo de que todos rissem e eu não. As que eu não entendia, depois eu perguntava baixinho para quem estivesse próximo e ria atrasado, mas era bom ouvir.

Hoje raramente ouço alguém contar uma piada. Não sei se as pessoas perderam o hábito de contar ou se fui eu quem perdeu o de ouvir.

Confesso que o meu senso crítico ficou muito chato. Passei a me policiar sobre o que de fato merecia o meu riso. Saber diferenciar o que é engraçado e o que é de mau gosto. Isto porque há piadas que são engraçadas apenas para quem faz. São aquelas discriminatórias, ou cheias de preconceito cujo intuito é tentar alcançar o humor através da ridicularização do outro.

Concordo que o ser humano precisa ter a capacidade de rir de si mesmo. O problema está quando a finalidade é somente debochar de alguém ou de algo, aí que a piada perde a graça. Quando a usamos para apontar defeitos, imperfeições, fazer críticas maldosas ou até mesmo ofender. O que às vezes parece uma anedota inocente, pode na realidade ser uma ofensa disfarçada.

Nunca entendi por que o ser humano tem o estranho prazer de rir da desgraça alheia. Quando alguém vai ao circo, por exemplo, assistir a um domador de feras, a expectativa é de que o leão consiga devorar o domador. A "graça" é esta.

Os jornais mais vendidos são os que estampam suas capas com fotos sensacionalistas. O horror é mais atraente do que a beleza. Do mesmo modo como alguém prontifica-se a ouvir algo triste que outra pessoa vai lhe contar, mas não se interessa de ouvir quando o assunto é "leve" ou banal.

Imaginar a dor do outro sem que a gente esteja passando por ela causa um certo frisson. E uma automática sensação de alívio, que nós dá a falsa impressão de que estamos "a salvo".

Assim é com a piada ofensiva. Colocamos o outro numa situação vexatória enquanto nós damos risadas. Ficamos de fora, como se fôssemos meros expectadores.

Acho que deveríamos fazer piadas para o outro, e não do outro. Em um mundo em que as pessoas se encontram tão fragilizadas em sua auto-estima, é quase uma agressão condutas que soem como ridicularização e desmoralização.

Vejo essa prática em certos programas de humor, em que deveriam tomar mais cuidado, serem mais responsáveis com o teor de suas "brincadeiras". Não esquecer que tem uma pessoa de carne e osso ali do outro lado assistindo. E esse que assiste pode sim se sentir ofendido. A linha que separa uma piada sadia de outra de extremo mau gosto é muito débil.

Não estou defendendo aqui nenhum tipo de censura! De forma alguma! Sou radicalmente contra qualquer tipo de medida que limite a criação artística e a liberdade de expressão. O que defendo é uma responsabilidade ética e moral nas mídias, onde não haja brecha que possibilite a disseminação do preconceito.

Não sei se estou parecendo mal humorado, mas também nunca achei a menor graça em ver as pessoas se machucarem. Tem gente que tem crises de riso ao ver uma pessoa tomar um tropeção na rua, por exemplo. Tudo bem, há casos nada graves em que se é possível achar alguma graça. Porém ri-se até de uma pessoa que leva um tombo e fratura o crânio. Na hora, o riso; depois, o socorro ao acidentado.
 
Se tomarmos por base a burguesia da Londres do século dezoito, veremos que a fome do ser humano pela desgraça alheia é antiga. As damas inglesas, naquele tempo, pagavam para visitar os sanatórios com o objetivo de divertir-se atormentando os loucos. Era considerado um programa "de família", muito comum entre os nobres.

Fico me perguntando se nós, ao acharmos graça numa piada de mau gosto, ou no tombo de uma pessoa que atravessava a rua e quase foi atropelada, não estaríamos repetindo a mesma conduta das senhoras inglesas do século dezoito.

Acho que ainda passarão muitos anos sem que saibamos como funciona a mente humana. É um mistério a ser desvendado. Por que a dor do outro é tão satisfatória? Por que a desgraça ocupa tanto destaque no nosso dia-a-dia? Vale a pena fazer uma análise.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A demonização do entretenimento de massa

Não é de hoje que ouço falar dos meios de entretenimento para a grande massa como algo de pouco ou nenhum valor cultural. As mídias especializadas nesse tipo de conteúdo sofrem com a não-aceitação e a crítica feroz das elites.

É como se houvesse uma hierarquia. Para os ricos, o melhor; para os pobres, um subproduto. Essa espécie de divisão busca valorizar ainda mais as classes privilegiadas, colocando-as num pedestal, como detentoras do que há de melhor em cultura. É uma tentativa de justificar por que uns têm mais do que outros.

O raciocínio é o seguinte: uma pessoa de instrução, bem articulada, que conheça países, fale idiomas, tenha acesso a bons lugares certamente justificará estes privilégios por meio do que chamo de demonização do entretimento para os mais desfavorecidos. Alguns privilegiados dirão: "Eu tenho mais que você porque eu tenho cultura, e você não."
 
Vale lembrar que o Brasil é um país onde a maior parte das pessoas vive na pobreza ou abaixo dela. Muitos não têm acesso a museus, livros, teatros, salas de cinema Não por que não querem. Mas por que não podem. Não me parece absurdo que um chefe de família compre um quilo de comida em vez de um ingresso de cinema, por exemplo.

Acho válido tudo que é feito para as massas. Para as classes mais pobres. Temos uma das melhores redes de entretenimento do mundo. Um meio de entretenimento injustamente depreciado é a telenovela. O Brasil conquistou know-how nesse setor e exporta suas produções para mais de cento e vinte países. Fora outras produções, como programas de auditório, transmitidos através das redes internacionais vinculadas às emissoras.

Precisamos parar de demonizar o que é de acesso fácil para esse grande público tão carente de cultura.

Por que não criar iniciativas governamentais que barateiem os custos das produções teatrais e assim tenhamos ingressos a preços populares? Da mesma forma, por que não o fazem com o cinema? Por que não há incentivo para que as pessoas ao menos uma vez visitem os museus de sua cidade? Por que não criar mais bibliotecas, com bons acervos? O Brasil também é reconhecido pelos imortais da Literatura, que muitos nunca nem ouviram falar.

A pobreza mais grave é a de informação. Um povo que desconhece os próprios valores é incapaz de conquistar uma melhor qualidade de vida.

A quem interessa a ignorância da população?

Penso que os que criticam o que é consumido pelo pobre, deveriam também se engajar em causas sociais que melhorem a vida dessas pessoas. Que ajudem a cobrar do Estado o que é dever dele: oferecer condições dignas para que o povo tenha uma boa educação e mais acesso à cultura geral. Mas por que não o fazem? Por que tão-somente criticar o mínimo que sobra para essas pessoas?

Há um grande desperdício de críticas nesse país. Há um vício de desvio de atenção. Perde-se muito tempo fazendo fumaça de gelo seco para simular incêndio.

Temos de cobrar cultura de quem realmente pode ajudar a difundi-la. Temos de cobrar, sobretudo, uma educação decente nas escolas. Distribuir livros. Incentivar a leitura. Fazer com que os grandes nomes de nossa arte sejam conhecidos pelos mais carentes. Criar meios que facilitem a formação do pensamento.

O pensamento é, sem dúvida, um dos bens mais preciosos que se tem. É através dele que descobrimos o mundo. É válido quando alguém, ao assistir uma novela, por exemplo, reflete sobre determinado personagem, sobre o seu conflito, e isso suscita uma discussão saudável acerca de algum tema.

Fico me perguntando se a internet também não está caminhando a passos lentos para a sua demonização frente as demais formas de aquisição de cultura.

Noto que há muito preconceito a tudo que nivela, de um certo modo, a sociedade. Existe uma resistência tácita que quer deter o conhecimento apenas para si. E que vê a expansão dos veículos de comunicação como uma verdadeira ameaça.

O conhecimento liberta, seja ele por que meio se dê. A parte boa da história é que o avanço das mídias continua a todo vapor, fortalecendo a democracia, valorizando e enriquecendo a interação entre os povos e suas culturas diversificadas.

Quem sabe daqui a alguns anos tenhamos uma sociedade de fato liberta do demônio da ignorância e do preconceito?

É ver pra crer!

A sociedade cria monstros

Incrível o patamar de violência a que se tem chegado em alguns setores da sociedade. Nas escolas, a maldade que antes era quase anônima, hoje é internacionalmente conhecida por bullying.
 
O tal bullying, na minha forma de pensar, é tão antigo quanto o laboratório do Dr. Victor Frankstein e de seu monstro, que levava o mesmo sobrenome. Só que no caso da vida real, criador e criatura se excedem em seus papéis e o apelo romanesco perde espaço para as grandes tragédias sociais. Ex alunos que invadem as escolas sedentos por sangue, por exemplo.

A responsabilidade de acabar com essas fábricas de monstros não é do Estado. Mas sim de quem contribui para que ele tome forma e saia por aí fazendo as suas vítimas.

Quem fabrica o monstro?

Quem fabrica é quem exerce algum tipo de poder sobre o "material bruto" do qual ele é formado. Vindo à realidade e fazendo uma analogia com o que já foi dito, basta falar que uma criança é um material bruto, tal qual uma pedra que deve ser lapidada para alcançar rara beleza. A rara beleza da realidade é o caráter, que deve ser modelado pelos pais. Lembrando que cada um já nasce com uma tendência de caráter, por isso é importante o acompanhamento direto dos pais.

Os professores apenas trabalham e complementam aquilo que a criança traz de casa. De modo que um marceneiro precisa de uma boa peça de madeira para que o seu trabalho saia a contento. Uma peça de má qualidade jamais poderá transformar-se num móvel primoroso.

É preciso investigar quais os valores que tomamos como base. Vale lembrar que uma criança tem como certo tudo aquilo que lhe é ensinado. É fato nem todo filho concorda com aquilo que aprende, mas a base que ele recebe quando criança é imutável.

Por outro lado, a ausência ou omissão dos pais também serve como alavanca para a formação do caráter de um indivíduo. Voltando à pedra que deve ser lapidada, imaginemos que essa pedra fique abandonada ao léu, sendo esculpida por fatores externos que não os de sua natureza original. Fatalmente vão aparecer imperfeições em sua forma. Claro! O material usado na sua formação também foi imperfeito, logo não teria como ser diferente dele.

A sociedade, por sua vez, faz vistas grossas ao que julga "normal". Acha normal crianças se agredirem, se ofenderem em pleno ambiente escolar. Ah, coisa de criança! ¾ é a justificativa. Não é difícil o pai achar bacana, como prova de masculinidade, o filho agredir o coleguinha mais fraco ou o "mais estranho" da turma. O problema é que aquele coleguinha frágil, indefeso, vai crescer e pode reclamar anos mais tarde todas as humilhações pelas quais passou.

A sociedade odeia a injustiça (alunos inocentes morrerem), mas não odeia o injusto (o filho que pratica o bullying contra outra criança). É uma relação de amor e ódio. O conceito do que é normal ou não, dentro deste assunto, ainda não ficou bem esclarecido; não gera consenso nem entre os especialistas.

A população se acostuma com velhos hábitos e depois não consegue revê-los, reavaliá-los. É muito difícil falar para alguém que algo é errado quando ela passou a vida toda achando que era o correto, ou que era natural. A mudança para todo esse caos passa justamente pela ideia de rever conceitos, reformular pensamentos.

É indispensável a participação do professor nessa reformulação de conceitos. Os esforços devem ser de responsabilidade de todos.

Nenhuma mudança é possível sem a cooperação das várias partes envolvidas. Há de se pensar que o objetivo é comum a todos. Já é tempo de fecharmos as fábricas de monstros. Precisamos formar cidadãos de bem. É necessário que a sociedade tenha ânimo da mudança, partindo da educação familiar. Dos valores que são agregados à pessoa desde a sua infância.

Talvez a minha afirmação pareça pessimista, porém acredito que a sociedade cria os seus monstros e depois não sabe lidar com eles. Isso faz um link com outro assunto, que é o nosso sistema penitenciário, que não recupera o indivíduo; ao contrário, é sabido que a maior parte dos detentos "evoluem" na escala do crime quando apenados. É o velho método de atacar a consequência e não a causa, gerando um círculo vicioso.

Talvez tratar a consequência seja mais rápido e prático do que investigar a causa.

Há algo de muito errado. Se não começarmos a mudar de agora o nosso comportamento diante de alguns fatos, um colapso social será inevitável; onde a violência se tornará algo tão banal que deixará de nos provocar indignação. É aí que mora o perigo...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os enterros ao longo da vida

A morte é a certeza mais perfeita da vida. Tão certa e derradeira que vem o homem através dos séculos tentando de alguma forma adiá-la. Custa a nós aceitar o último suspiro ou o útlimo adeus. Penoso é ter de concordar com aquilo que não está ao nosso alcance de mudar. Negociar com o tempo o que a nossa existência nos impõe como regra, não é tarefa das mais agradáveis.

Ok.  Deixemos agora o lado sombrio da coisa. Façamos uma pergunta simples, porém conceitual: “Acaso nossa vida não é trajetória de velórios e enterros ao longo do tempo?”

Tudo parte de um recomeço. A morte física é o limite deste recomeço que se dá por todos os dias, meses e anos, enquanto seres viventes. Demarca quando esgotadas todas as possibilidades. Ao passo que os enterros que o destino nos impõe durante a nossa breve passagem pelo mundo cuida de fazer com que as coisas se renovem. A arte da volta, depois  daquele  velório ¾  sim!  porque  é  uma arte  ¾  nos ensina como dar início a um novo ciclo. A uma nova etapa.

Tal qual uma pessoa que sepulta um ente muito querido, assim o é quando enterramos amores, sonhos, projetos, pensamentos, ideias, etc. O indivíduo retorna daquele sepultamento e dali lança-se a uma nova jornada. Ora, por assim pensar, logo se conclui que a “morte” nem sempre é algo tão terrível, tampouco prejudicial a nós.

A incerteza do que há de vir pela frente contempla também a possibilidade de gratas surpresas! (por que não?) É preciso estar aberto às novas experiências que somente acontecem depois de outras tantas que foram enterradas.

Imagino uma pessoa que passou anos seguindo a uma determinada religião. Mais da metade de sua vida. E em algum momento torna-se adepta de uma outra ordem religiosa, totalmente contrária àquela que seguia antes. Essa “simpatia” pela nova religião jamais seria possível sem que as convicções da antiga fossem sepultadas. Da mesma forma que alguém que se apaixonou por mais uma vez, sepultou o sentimento que antes sentiu por outra pessoa.

Enterra-se um amor para que nasça e viva um novo amor; que se porventura for mais feliz que o anterior, comprovar-se-à então o benefício daquele “sepultamento”.

É extremamente necessário, porém, chorarmos os nossos “mortos”. Não deixá-los como fantasmas, não! Chorar, prantear por eles. Isto sem impedir o começo do novo ciclo. Viver o nosso luto é importante. Darmos a nós mesmos o direito do lamento não nos provoca fraqueza; ao contrário, é o juntar dos cacos, é a reunião incosciente de tudo que sobrou de nós. Vou mais adiante: é o princípio do nosso eu.

O problema é quando esse luto nos impede de crescer e evoluir como pessoa. Como tudo na vida, o luto deve ter tempo determinado. Mas deve acontecer, claro! Não de forma permanente, no sentido de que não consigamos mais estar abertos às novas experiências. O luto pode ser interno, desde que este não atrapalhe a conduta do recomeço externo, em nossas atitudes dali em diante.

O que me cabe dizer é que o recomeço sempre acontece de dentro para fora. Recomeça-se na alma para só então recomeçar na atitude. Por isso o luto interno tem de estar em harmonia com o externo, um não pode ser impeditivo do outro; ambos  devem  recomeçar, simultaneamente  ou não. Mas inevitavelmente em algum momento tem de haver sinergia entre ambos.

Estar de luto não quer dizer que a vida acabou junto com aquilo que sepultamos. No caso de um sonho antigo, não realizado e sepultado, é essencial que tenhamos a capacidade de criar novos sonhos e alcançar novos objetivos. Claro que o pranto pode ser longo ¾ não é fácil enterrar um sonho antigo ¾ mas o luto não não pode ensejar inércia e indiferença quanto ao futuro.

Acho que quase todo escritor enterrou algum livro que seria o primeiro de sua vida; enterrou com ele todos os seus personagens, todas as suas ideias. Lamentou por eles. Lamentou profundamente. No entanto, isto não o fez um fracassado. Quantos livros  um  escritor  genial  deixaria  de  oferecer aos  seus  leitores  caso  o  seu  luto  lhe  provocasse a indiferença? A história é reescrita constantemente, tal qual num livro de romance em  capítulos, ou em uma novela. Um capítulo morre para  começar outro.

Quando voltamos do enterro daquele ente querido, já no caminho, em luto, tomando consciência da inesperada realidade, sem que percebamos, ali cria-se um ponto de partida.  É preciso estar atento à essa sutileza. A dor  gera  uma  cegueira  momentânea,  que  é curada com o passar do tempo. E em ajuda ao tempo, cura-se a cegueira com o imprescindível exercício da sensibilidade diária.


Não se deve compartilhar infelicidade

Em certa ocasião fiquei sabendo de uma pesquisa onde constatou-se que a maior parte dos casamentos se desfazem antes de completarem cinco anos. As causas alegadas por esses casais que não deram certo são as mais diversificadas, e abrange desde a temida infidelidade até uma simples discussão de fim de semana. E isto é o que se tem de menos grave para se falar em separação. Em alguns casos, a violência doméstica é um fator dominante, motivada quase sempre por consumo de drogas e problemas com alcoolismo.

Mas saindo da parte “técnica” da coisa ¾ se é que podemos classificar assim dados tão alarmantes ¾ fico me perguntando o que leva de fato milhares de casais ao divórcio. Será que as pessoas descobrem-se infelizes depois do casamento? Acho que não.

Não me cabe aqui analisar, julgar ou discorrer sobre qualquer assunto que não me caiba um conhecimento mais aprofundado. No entanto, há tempos que eu parto do princípio de que as pessoas já se casam infelizes. Sim! O que acontece é que o apelo da sociedade é tão grande em prol da formação de uma família ¾ tipo comercial de margarina ¾ que as pessoas casam-se sem muito esforço e deixam o lado chato e burocrático só para os trâmites legais. Ninguém nunca quer tramitar consigo mesmo, com as suas próprias razões, ou com o próprio eu.

O medo da solidão também é um fator para haver tantos casamentos protocolares, aqueles em que o entusiasmo fica por conta de um sorriso numa foto para pôr no álbum, de recordação. Mas recordar o quê? Do que dia em que se casaram como se estivessem assinando um contrato de sociedade?

É claro que existem muitos casamentos felizes. Muitos mesmo. Porém vou arriscar dizer que se trata da minoria, infelizmente.

Daí, você que acompanha esse texto, pode estar se perguntando onde eu quero chegar falando do casamento dos outros. Muito simples: quero falar  da  infelicidade,  da  insatisfação  pessoal  e mal  resolvida  que  faz  com  que  alguns  se  casem e transmitam esse fardo a um outro alguém, inocente na história.

Não estou apregoando aqui a falência do casamento ou a descrença na vida conjugal. Estou fazendo o raciocínio lógico de que infelicidade não se divide, ou não se deve dividir. Se o indivíduo tem uma insatisfação plena consigo mesmo, não é aconselhável que ele se una a alguém porque é quase certo que ele fará o seu parceiro ou parceira infeliz igualmente.

O raciocínio é matemático também: um infeliz é menos que dois infelizes. No caso dessa proporção, a lógica é inversa ¾ quanto menos, melhor. Porque no casamento esse número pode ficar até bem maior, um casal há de se propor a ter filhos, criar uma família, e só Deus sabe quantos vão experimentar o peso de uma infelicidade  alheia  mal  resolvida.  Por isso usei o casamento como  parâmetro,  porque  é  justamente  com  ele que  uma  doença  da  alma  pode  se  alastrar  e  fazer  tantos  sofrerem.

As amizades, da mesma forma, estão sujeitas a esse mal. Quantos não dizem que depois que conheceram e passaram a conviver com fulano, a vida não “desandou”, ou que ficaram de uma hora para outra infelizes, irritadas ou insatisfeitas sem causa aparente?

A coisa mais preciosa que temos para dividir enquanto estivermos nesse mundo é a tal felicidade. Essa que se deve buscar de forma incansável, perseverante! Felicidade contagia os que estão ao redor. Preenche a alma. É como luz que transpassa e vai alcançar o outro.
Mas o que é a felicidade?

É uma pergunta difícil de responder. Mas digo que felicidade é a satisfação de estar bem consigo e com o mundo. É não se incomodar se a grama do vizinho é mais verde que a sua. É agradecer a Deus cada segundo de mais um dia de vida. É se sentir participante e responsável zeloso por uma história que em que não há apenas um personagem, mas vários! É dever de cuidado, com as outras pessoas, com a natureza, com os animais. É saber respeitar a si mesmo e ao próximo, e se perdoar pelas falhas cometidas e aprender com elas.
Felicidade tem que ser uma filosofia de vida. Eliminar de nós aquilo que nos faz mal. Saber identificar o que é preciso mudar, ou melhorar. Nesse mundo temos sempre alguém esperando por nós ali adiante, e é bom que cuidemos do nosso espírito. Melhoremos as nossas atitudes.
Está certo que muitos dizem que ninguém é feliz de tudo, mas seria ótimo que ninguém também fosse infeliz de tudo. O “infeliz de tudo” é aquele que permite que apenas o seu lado ruim prevaleça e acaba  repartindo-o com os outros.

Não se deve compartilhar infelicidade, fato!


O peso é dado a quem consegue suportá-lo (os verdadeiros heróis)

Nos meus tempos de criança, na adolescência e até mesmo hoje, na fase adulta, ainda consigo ficar empolgado quando vejo os meus heróis do cinema entrarem em ação. A forma como os vilões tecem as suas teias de maldade e o modo como os heróis são capazes de desfazê-las, muitas vezes através de obstáculos quase intransponíveis, me provocam grande entusiasmo.

Um dia quis ser um herói. Imaginei que pudesse usar uma capa, ter asas ou super poderes que me fizessem enfrentar os vilões do mundo. Doce imaginação! Os heróis sempre estariam nas telas do cinema, seus super poderes condenados à ilusão dos efeitos especiais, e suas vitórias repetidas incansavelmente à cada nova exibição feita pelo projetor da sala escura.


Não. Eu estava enganado. Lembrei dos heróis da vida real, que não usam capas nem máscaras. Pensei nas milhares de pessoas no mundo inteiro, vencendo as suas barreiras. As suas lutas não são obras de ficção. Todos os dias estão eles por aí, anônimos, fincando bandeiras de conquistas, superando-se.  Seus vilões não são menos terríveis que aqueles do cinema.


Cada um é herói de si mesmo. Cada um sabe onde o sapato aperta, como se ouve dizer. E não se pode transferir o que é de responsabilidade nossa. Neste sentido, penso na orientação do Messias quando  disse  que  cada  um  carregasse  a  sua  cruz. A Dele era de madeira, cheia de farpas, pesada, e somente Ele seria capaz de suportá-la. Era necessário aquele sacrifício representado pela cruz. Aquele  martírio  estava  destinado a  Ele, que o cumpriu até o fim. E qual seria o nosso?  Qual  seria  a   cruz   que   teríamos  de  carregar?  O  que o destino tinha reservado para nós?

Presumo que Deus-Pai não escolheu um dos  discípulos do Messias para passar por aquele sofrimento porque nenhum deles estaria preparado. Assim é conosco. Nosso fardo é individual e não podemos delegá-lo a outra pessoa. Cabe a nós nos tornarmos heróis dentro de nossa própria história. Porque todos trazem um herói dentro de si.

Certa vez parei para refletir sobre o que eu tinha vivido ao longo desses anos, praticamente desde que nasci. Cheguei à conclusão de que tudo por que passei seria insuportável para algumas pessoas, elas simplesmente não saberiam sair de determinadas situações, não teriam como lidar com certas dificuldades. Por outro lado, eu também não saberia enfrentar muitos problemas pelos quais os outros passaram. Daí vêm à mente aquele famoso “e se...”. E se fosse o fulano no meu lugar? E se fosse  eu  no  lugar  de  fulano?  Como  seria? Acho que em algum momento na vida já nos perguntamos  isso.

Ora, a resposta é muito simples! Nessa longa caminhada o peso só é dado a quem consegue suportá-lo. Algo sempre está destinado a nós.
Penso também que o vencedor nem sempre é aquele que de fato venceu a batalha, mas sim o que soube fazer um bom combate.

Um dia, conversando com uma amiga, desabafei alguns problemas. Questionei para ela por que eu tinha de passar por todo aquele dilema. E ela me falou algo que nunca mais esqueci: “É você quem está passando porque só você é capaz de resolvê-lo. Ele é seu.”

A princípio, a frase da minha amiga poderia soar como algo extremamente egoísta, como se ela fosse insensível ao meu sofrimento. No entanto o que ela disse era uma verdade! Não consegui imaginar alguém tão bem preparado quanto eu para contornar aquela situação. E de fato não havia ninguém. Eu estava assumindo a minha cruz.

Acredito que quando nós ganhamos consciência do nosso papel diante dos problemas que enfrentamos, eles diminuem de tamanho e nós crescemos na mesma proporção. Não podemos nos deixar intimidar de forma alguma. Como um guerreiro da luz que nunca desiste ainda que a batalha pareça perdida. Ainda que o cenário seja desfavorável e assustador. Uma luta não começa quando pegamos as armas; começa quando assumimos  a  nossa  condição  de  lutador  dentro de nós. A figura do lutador nasce antes da própria luta, antes do enfrentamento.

O medo é indispensável para o auto-conhecimento. É através dele que criamos bases sólidas para a batalha. Passamos a delinear onde estão as nossas fraquezas e aprendemos a sobrelevá-las.  Deste  modo,    estão   as   asas  dos heróis da vida real: na capacidade extraordinária   de  vencermos   os   nossos   receios  e  voarmos  como  águia.
Não creio que a vida seja tão injusta, dá-nos a dificuldade, mas junto traz a força magnífica que existe em nós.

Carregar a cruz pode ser uma tarefa muito benéfica, a depender da postura que tomamos diante dos embaraços da vida.